Vou e volto, sempre ajeito
Ele teima em ficar torto
Parece ter vida
E a cada momento se mostra diferente, como meu humor
cores ora vibrantes, ora opacas
Um mistério há nessa arte abstrata
As cores se complementam e se fundem
O que desejo e o que quero surgem na tela
Ele nunca é o mesmo
Cada olhar aguça mais ainda minha imaginação
Ele se revela em fragmentos,
em cores e traços
Penso no pintor
Em sua mão sobre a tela
E o que dele há nas linhas sinuosas,
que agora fazem sentido
Um pouco dele transparece
Como quem fala ao expectador
Que inerte o observa
Tenho dúvida se observo
ou sou observado pelo quadro
Ele se tornou um canal
Um meio onde o pintor comigo fala
Não há distância entre a gente
Quando olho seus traços
Simultaneamente um diálogo se estabelece
E sei que mais próximo de mim ele passa está
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