Acordei com o sol entrando pelo rasgo da cortina. Tentei reunir forças para levantar, inútil meu corpo não respondia. A noite anterior me pareceu ter sido longa, mas pouco consigo recordar. No lençol manchas de sangue já secas, de onde vieram não recordo.
Sinto o cheiro de vodka no quarto e com ele lembranças me chegam. Lembro-me de está pronta, como que para uma festa de gala. Recordo-me agora da garrafa. Comemorávamos nosso ano de namoro. O sangue, como veio parar aqui? Meu braço dói.
Consigo em fim ir até o banheiro e lavar meu rosto borrado pela maquiagem. O cheiro de vodka volta a me trazer mais lembranças da noite anterior. Brindávamos aquele momento. Na décima dose ele me contou que já não havia mais amor entre nós. Começo a ri.
- Onde ele está agora?
Responde-me aflito: - O nosso amor se transformou em um ano em meros encontros casuais. Álcool, beijos e sexo, triste resumo do que nosso amor se tornou.
- O que te trouxe aqui então? Por que os trajes e a bebida? Insisto.
- Queria que terminasse da melhor forma possível.
O sangue, tenho que lavar logo os lençóis se não a mancha não vai sair. A cortina precisarei trocar o rasgo está muito grande, não há como ajeitar. Acho que foi após a ultima dose que rasguei a cortina. Não acreditei que tudo estava acabado. Derramei nele o que ainda havia na garrafa. Já estava fora de mim, não sei se pelo álcool ou pela raiva de ser usada. Comecei a derrubar tudo. Ele não estava sendo justo. Empurrou-me contra a parede e mandou eu me acalmar.
Sentia-me sendo posta para trás da forma mais fria. O que comemoraria agora? Um brinde a babaca que deu durante um ano pensando ser amada. Cuspi no rosto dele. Em resposta recebi um tapa. Fiquei calada. Ele também já não estava em si. Golpeou o espelho partindo-o em vários pedaços. O sangue. Peguei o lençol tentei ajudá-lo. Sua mão sangrava muito. Ele apenas me empurrou e disse que de mim não queria mais nada.
A raiva transformou-se em desespero. Lá estava eu largada e mais uma vez só. Não sei o que fiz depois dali nem a hora que peguei no sono, minha mente simplesmente apagou. Cato agora meu rosto refletido nos cacos de espelho. Meu coração está da mesma forma, em fragmentos. Mesmo tentando juntar os pedaços não será o mesmo, pois a imagem sempre estará deformada.
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